Com mais de 20.520 casos anuais no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o tumor gástrico é um dos tipos de câncer mais frequentes e também mais letais, já que é a segunda doença cancerígena que mais causa mortes no mundo.

Como os sintomas de câncer no estômago são discretos no início da doença, o diagnóstico costuma ocorrer só na fase avançada, o que diminui as chances de cura.

O que é câncer de estômago

A proliferação desordenada de células anormais da mucosa do estômago forma um tumor no órgão. Se não tratado, esse tipo de câncer pode invadir outras regiões vizinhas ou viajar pela corrente sanguínea e vasos linfáticos, se espalhando cada vez mais pelo corpo em um processo chamado metástase.

Causas

Segundo o cirurgião do aparelho digestivo Amir Charruf, do Hospital Moriah, as células com potencial cancerígeno surgem em decorrência da presença de fatores de riscos que potencializam as alterações das células somada à falta de fatores de proteção.

Fatores de risco e proteção

Acredita-se que a alguns tipos de alimentos elevam risco de câncer estômago, como sal, produtos defumados, enlatados e com corantes. Já os fatores protetores incluem uma alimentação adequada e rica em vegetais crus, frutas cítricas e fibras, cujas propriedades combatem o aparecimento de tumores gástricos.

Obesidade, tabagismo e consumo de álcool também podem causar o problema e a história de câncer na família deve ser levada em conta, pois a doença tem relação com alterações genéticas.

Por fim, a infecção pela bactéria Helicobacter pylori, conhecida apenas por H. pylori, pode causar úlceras, casos de gastrite e até mesmo câncer de estômago por aumentar a produção de ácidos e reduzir a proteção natural da mucosa, deixando-a mais frágil e propensa a lesões.

Sintomas do câncer de estômago

Fase inicial

De acordo com o cirurgião Amir Charruf, os tumores costumam apresentar poucos sintomas relevantes nas fases inicias, como:

  • Sensação de estômago estufado;
  • Queimação e azia persistente;
  • Dor abdominal;
  • Perda do apetite.

Fase de desenvolvimento

Contudo, o desenvolvimento do tumor agrava o quadro e causa os seguintes sinais:

  • Perda de peso não explicada;
  • Dificuldade em engolir alimentos;
  • Piora da dor abdominal;
  • Anemia;
  • Vômitos ou fezes com sangue.

Fase avançada

Já os sintomas de câncer de estômago avançado são mais específicos, o que faz com que grande parte dos casos seja diagnosticada apenas nessa fase.

  • Perda de peso excessiva;
  • Coloração amarelada da pele;
  • Aumento do volume abdominal;
  • Presença de gânglios nas axilas e acima da clavícula.

Diagnóstico

A identificação dos sintomas de câncer de estômago feita por um oncologista, cirurgião do aparelho digestivo ou cirurgião oncológico pode ser confirmada por meio da biópsia realizada por endoscopia digestiva alta, um tipo de exame em que insere um tubo de espessura pequena na boca.

Esse aparelho possui uma câmera que é conduzida até o estômago, permitindo a avaliação de possíveis lesões malignas.

Já o Instituto Nacional do Câncer (INCA) ressalta que a confirmação do quadro também pode ocorrer por exame radiológico contrastado do estômago, um tipo de raio-X.

Câncer de estômago tem cura?

Quanto mais cedo a doença for descoberta, maior é a probabilidade de cura. O cirurgião Amir Charruf ressalta que a chance de sobrevivência de pacientes que descobriram a doença na fase inicial é de 70% – taxa estimada cinco anos depois da descoberta do tumor. Já o prognóstico de cânceres diagnosticados em estágio avançado é bem diferente: há menos de 5% de probabilidade de sobrevida.

Tratamento do câncer de estômago

Medicamentoso

Alguns tipos de remédios são usados para diminuir os sintomas de câncer de estômago, sem necessariamente combater a doença. “Um exemplo disso é o paciente que tem vômitos devido ao tumor e passa a tomar medicamentos que inibam esse incômodo”, ressalta o médico.

Nutricional

Esse cuidado consiste em uma dieta suplementar com alto teor de proteínas a fim de reverter o declínio nutricional, melhorar a resposta imunológica e fazer com que o paciente suporte os demais tratamentos, como cirúrgico e medicamentoso.

Cirúrgico

Chamada de gastrectomia, a cirurgia para câncer de estômago é realizada apenas quando as células cancerígenas atingiram só o estômago e não outros órgãos. Ela consiste na retirada de parte ou da totalidade do estômago – neste caso o esôfago é ligado ao intestino para que a digestão ocorra – e dos linfonodos próximos a ele. Segundo Dr. Amir Charruf, o método apresenta a melhor chance de cura.

Em casos de metástase, que é a propagação do câncer para outras áreas do corpo além do órgão de origem, é possível realizar cirurgias paliativas para reduzir alguns sintomas, como sangramento e dificuldade de alimentação.

Quimioterapia

A quimioterapia é um método que consiste na utilização de substâncias químicas para controlar o tumor ou exterminar quaisquer células malignas que possam ter surgido. No caso do câncer de estômago, ela pode ser feita antes da cirurgia – para reduzir o tumor e aumentar as chances de sucesso da operação – ou depois – com o objetivo de eliminar qualquer célula cancerígena ou mesmo para retardar ou reduzir a metástase.

Radioterapia

A radioterapia baseia-se na exposição do tumor à radiação ionizante para eliminar ou inibir o crescimento dos organismos que formam o câncer.

O método não é muito usado no Brasil para o tratamento de tumor de estômago, conforme explica o cirurgião Amir Charruf. “Tem papel secundário pois na maior parte das vezes é utilizada para reduzir o sangramento causado pelo tumor em pacientes que não podem ser operados. Já nos EUA, a radioterapia é utilizada como complemento ao tratamento cirúrgico, assim como a quimioterapia”, esclarece o doutor.

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